O viajante do tempo

Ilustração do texto "O viajante do tempo" no blog Melhores Trapos

Este ano eu viajei. Não somente pelo espaço, como sempre havia viajado, mas pela primeira vez viajei no tempo. Retornei a épocas em que nunca vivi, mas sabia que existiam.

Viajei trinta anos atrás para uma terra distante que abraçou meu pai, e depois, a mim. Lá, pude ver prédios altos, iluminados mesmo à noite. A eletricidade emanava daquele lugar, como se fosse uma cidade de outro universo. Sua lingua era diferente, silabada como a minha, mas ainda assim, diferente. Entretanto, a comunicação não foi um problema. Acontece que sorrisos eram naquela época, e ainda são, universais. Mesmo em uma cidade de outro universo.

Lá, pude ouvir, comer e viver coisas muito distintas das quais eu estava acostumado, e me pergunto se meu pai sentiu as mesmas coisas e viveu as mesmas coisas como eu nestes quinze dias trinta anos depois de seus trinta dias. Não o encontrei lá, pois estávamos há trinta anos e trinta minutos de distância um do outro no tempo-espaço, dado as limitações da viagem no tempo. Entretanto, pude sentir sua presença ao passar pelo hotel em que ficou.

Depois, viajei cem anos atrás, para outro lugar completamente diferente. O barulho, deu lugar ao silencio completo, e apesar de sua lingua ser a mesma que a minha, não havia ninguém com quem eu pudesse me comunicar. O lugar era completamente vazio, mas o silêncio não era um fardo. Era complementado por uma beleza natural que gritava aos quatro ventos. No lugar, o horizonte era beijado pelo sol, que delineava os montes e os separavam dos céus. A mata beijava o rio que rasgava o vale ao meio e no centro desse local deserto, esquecido pela humanidade, havia um templo. Meu bisavô nasceu nesse templo, há mais de cem anos atrás. E por tanto, nunca nos conhecemos, mas também pude sentir sua presença, graças a habilidade em viajar no tempo.

O templo, sentia os efeitos do tempo. Completamente esquecido pelas pessoas daquele lugar. O telhado, deu lugar ao vazio, que permitia que os fachos de luz refletissem sobre o ornamento no topo daquele santuário. No chão, apenas relva e restos, nada de valor para o ser humano mediano. Mas para mim, um viajante do tempo, um lugar para revigorar as energias, meditar e me encontrar nas infinitas possibilidades que o tempo-espaço nos oferece. Ao adentrar o templo, pude ouvir a voz do familiar que nunca conheci, sendo trazido a este mundo cem anos antes de mim, em um lugar a milhas de distância do qual eu fui trazido, e mesmo assim de certa forma, estávamos conectados. Pude usar o templo para recarregar minhas energias e retornar a minha época.

Agora, irei viajar para o futuro.

Foto: Gabriel Freitas – Todos os direitos reservados