Ela tocou a areia que eu toquei, entrou no mar onde
eu me molhei, e viu o mesmo pôr do sol se recolhendo atrás da montanha onde eu subi, que marcara o tecido do meu corpo de forma eterna. E ainda assim, nossos corpos não se tocaram, nem se viram, nem se sentiram. Pois estávamos separados pelo espaço-tempo, em instantes separados, ainda que imediatamente unidos.
Nunca mais ouvi ondas reverberarem sua presença, ou fótons anunciarem sua chegada. Como o universo era antes da grande explosão de átomos, ela permaneceu: Em absoluto vácuo, escuridão e silêncio.
Seu poder absoluto sobre o cosmos e sobre mim se dissipou, ele não mais afeta a minha habilidade de viajar no tempo. Por sua vez, o tempo, já não mais se dobra a sua vontade. Não sei em qual quadrante do espaço ela se encontra e nem sua velocidade de deslocamento.
Não sinto mais sua força gravitacional deformando o próprio tecido do universo, nem sinto seus sinais chegando aos meus sensores, nem mesmo os mais aguçados. Não sinto os fótons emitidos pelas estrelas refletirem em sua pele, nem em sua íris. Não sinto sua energia sendo emitida em minha direção.
Já não sinto mais nada. A não ser, saudade.
Ecleticamente boêmio e desesperadamente romântico. Cada pé na bunda rende mil cervejas e alguns poemas.
