O que posso dizer
Quando qualquer palavra
Disparada da minha boca
Será somente disparate
E jamais fará justiça
A como eu a vejo
Nunca serei tão suave
Ou delicado
Quanto suas mechas
Sobre meu travesseiro
Enquanto cochila
Em um domingo
De chuva
Que elogio
Descreveria tão precisamente
Seu sorriso matinal
Ao sentir o cheiro do café
Enquanto faço panquecas?
Suas risadas das minhas piadas
Bobas desarmam qualquer
Habilidade em elogiá-la
Tão inteligente
Sexy, charmosa,
Bem-humorada
E, ainda assim,
Todos os adjetivos
São somente adjetivos
Quando comparados
À minha pupila dilatada
Ao vê-la de longe
Enquanto sorri
Cada minuto com ela
Uma infinidade de momentos
Que se misturam
E se esvaem com o próprio tempo
Ainda que, para ela,
Sejam apenas
Minutos
Ela não precisa de elogios
Ela é o próprio elogio que
O universo materializou
Na mesma época e local
Que eu
Sua existência é o maior elogio
Picture: Vincentiu Solomon at unsplash
Ecleticamente boêmio e desesperadamente romântico. Cada pé na bunda rende mil cervejas e alguns poemas.
